31 mar Plataforma Semiáridos realiza, no Recife, seminário internacional sobre clima e governança na América Latina
A Plataforma Semiáridos da América Latina, em parceria com o Centro Sabiá, realiza, neste mês de abril, o seminário “América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança”. O encontro tem como objetivo a ampliação de perspectivas sobre os desafios e as respostas construídas nos territórios secos diante da crise climática, com atenção especial aos sistemas alimentares, à autonomia territorial e às formas de governança política emergentes.
Reunindo mais de 40 vozes de territórios indígenas, camponeses, organizações da sociedade civil, governos subnacionais, redes e iniciativas comprometidas com a construção de saídas concretas para um mundo em crise, a iniciativa propõe dois painéis de conversa ao longo da manhã do dia 8 de abril, na sede da ONG Habitat para a Humanidade. Entre as organizações confirmadas estão a FUNDAPAZ, Funde, Isla Urbana, CETRA, ADESSU Baixa Verde, PATAC, Isla Urbana e Conselho Indígena Tremembé.
O primeiro painel, “Sistemas alimentares e crise climática” pretende refletir sobre como os sistemas alimentares vêm sendo afetados pela crise climática, e como comunidades indígenas, camponesas e organizações locais têm sustentado resiliência e respostas concretas, enraizadas na vida e na história desses lugares. A proposta visa desenhar um mapa vivo das experiências, identificando convergências, ameaças, riscos e aprendizagens comuns entre México, América Central, Brasil, Argentina, Colômbia, entre outros.
Já o painel “Autonomia territorial, incidência e governança” tem como objetivo discutir como se fortalecem as capacidades políticas e os arranjos de governança em contextos marcados por instabilidade, desigualdade, conflitos e emergência climática. Através da reunião de olhares da sociedade civil e de atores públicos comprometidos com a agenda climática, pretendemos compreender a importância dos estados, municípios e outras escalas intermediárias para construir políticas, pactos e respostas mais próximas das realidades territoriais.
A Plataforma Semiáridos, cujo ponto focal é o Centro Sabiá, é uma articulação com mais de quinze organizações sociais espalhadas por dez países que possuem regiões semiáridas que conectam países e povos da América Latina. Foi criada com objetivo de revelar e sistematizar as experiências vinculadas à utilização e à gestão dos territórios nas regiões, fortalecer a sociedade civil, gerar propostas e incidir nas políticas públicas. Busca atender os desafios das organizações indígenas e camponesas, em relação ao acesso, uso e gestão da terra, ao território e aos recursos naturais.
Para Carlos Magno Morais, coordenador do Centro Sabiá e membro da mesa de governança da Plataforma Semiáridos América Latina, o encontro tem um papel estratégico não apenas pelo que mobiliza no presente, mas também pelo que projeta para o futuro. “Ele nos prepara para a Caatinga Climate Week, que acontecerá em julho, em Caruaru, e que vem se consolidando como um espaço fundamental para posicionar a Caatinga no centro do debate climático global. Mas, antes disso, Recife cumpre aqui uma função essencial: a de escuta das vozes dos semiáridos da América Latina, que historicamente foram tratadas como zonas de sacrifício, mas que hoje se afirmam como territórios de soluções”, pontua Morais.
Ainda segundo Carlos, ao olhar para os sistemas alimentares e para a governança territorial, estamos, na verdade, olhando para onde já existem respostas concretas à crise climática. São experiências que mostram caminhos possíveis de adaptação, construídas a partir da realidade dos povos indígenas, das comunidades camponesas e das organizações locais.
“Ao mesmo tempo, este encontro nos convida a refletir sobre os rumos políticos da região. Vivemos um contexto de profundas transformações, e as decisões políticas, ou a ausência delas, têm impacto direto sobre a vida das pessoas. Estudos internacionais já indicam que milhões de pessoas na América Latina poderão ser forçadas a migrar até 2050 por conta das mudanças climáticas, cenário que tende a se agravar na ausência de políticas públicas consistentes ou quando caminham na direção contrária. Por isso, mais do que um espaço de debate, este é um espaço de afirmação: a adaptação climática passa necessariamente pelos territórios, pela valorização dos seus conhecimentos e pela construção de políticas que estejam à altura dos desafios já postos”, finaliza Carlos.
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